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Você está usando IA para criar mais conteúdo. E por isso ninguém mais está prestando atenção em você

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Se isso soar como irônico, me perdoe. Mas pense como é engraçado: nunca produzimos tanto conteúdo, e nunca fomos tão fáceis de ignorar. Se continuar assim onde isso vai parar? É sustentável? Você está usando IA para criar mais conteúdo. E por isso ninguém mais está prestando atenção em você.

Se você trabalha com marketing, provavelmente sentiu isso na pele. Os números de produção sobem. O calendário editorial fica mais cheio. E, ao mesmo tempo, o engajamento estagna, a diferenciação some e uma pergunta incômoda começa a aparecer nas reuniões de resultado: o que está errado?

Arrisco dizer de forma honesta que nada está errado com a execução. O problema está na lógica.

A decisão que pareceu inteligente — e virou armadilha

A chegada dos grandes modelos de linguagem ao marketing foi recebida como uma revolução de produtividade e todo mundo ficou em euforia. E é compreensível. Pela primeira vez, era possível reduzir o custo marginal de produção de conteúdo consideravelmente. Um artigo que levava dois dias passou a levar vinte minutos. Uma série de posts que exigia uma semana ou mais virou trabalho de uma tarde.

A decisão óbvia foi escalar. Produzir mais. Ocupar mais espaço nas plataformas, ranquear mais palavras-chave, alimentar mais canais e aparecer mais. O problema é que essa decisão não foi tomada por uma empresa. Foi tomada por todas as empresas ao mesmo tempo.

Em 2024, o volume de conteúdo indexado pelo Google cresceu em ritmo acelerado. Um estudo da Originality.AI identificou que mais de 13% de todo o conteúdo online já apresenta marcas fortes de geração automatizada — e esse número sobe consistentemente a cada trimestre. No LinkedIn, o volume de publicações cresceu, mas as taxas de engajamento por post caíram. A lógica é simples: quando a oferta explode, a atenção por unidade de conteúdo colapsa.

Mais barulho. Menos audiência.

O que acontece quando a vantagem competitiva vira commodity

Em estratégia empresarial, uma vantagem competitiva é algo que você faz e que seus concorrentes não conseguem replicar com facilidade. Durante anos, conteúdo de qualidade foi exatamente isso — difícil de produzir, difícil de escalar, difícil de copiar. A IA destruiu essa assimetria.

Quando qualquer time, com qualquer orçamento, pode gerar cinquenta artigos por semana sobre “estratégias de performance”, o conteúdo deixa de ser uma vantagem competitiva e passa a ser um custo de entrada. Todo mundo chega ao nível mínimo esperado. E, por isso, ninguém se destaca.

Mas tem um problema ainda mais profundo e menos discutido.

Pesquisas sobre similaridade semântica em conteúdo B2B mostram que artigos gerados por LLMs sobre o mesmo tema tendem a convergir para estruturas, argumentos e até metáforas semelhantes, independentemente de qual empresa os produziu. Isso não é coincidência, mas um efeito direto do treinamento. Os modelos aprendem o que é “um bom artigo de marketing” a partir dos dados que viram — e entregam exatamente isso, para todo mundo.

O resultado é uma massa de conteúdo tecnicamente correto, bem estruturado, revisado por IA, publicado em ritmo consistente. E estrategicamente invisível.

O que diferenciação de conteúdo realmente exige

Aqui está o ponto que muitas equipes de marketing ainda não internalizaram completamente: diferenciação em conteúdo nunca foi sobre volume. Foi sempre sobre especificidade.

Aqui na ALVK sempre reforçamos que o que torna um conteúdo memorável é exatamente o que não pode ser generalizado. A experiência concreta de ter errado uma campanha e entendido precisamente por quê. A perspectiva de quem conhece profundamente um setor e enxerga o que outros ainda não perceberam. A opinião que desafia o senso comum com dados próprios — não com dados de terceiros reembalados em um novo formato.

IA não tem experiência, não tem perspectiva, não tem o risco de estar errado em uma aposta, simplesmente produz o centro estatístico de tudo que já foi publicado, que é, por definição, o oposto de uma visão diferenciada.

Um relatório da Nielsen de 2023 reforça isso empiricamente: consumidores atribuem credibilidade significativamente maior a conteúdos com dados proprietários, cases específicos e autoria identificável do que a conteúdos genéricos — mesmo quando estes últimos são tecnicamente mais completos e bem escritos. As pessoas não estão procurando mais informação. Estão procurando perspectiva. Essa é uma distinção que muda tudo sobre como uma estratégia de conteúdo deveria ser desenhada.

O erro de framing que está custando resultado

A maioria das discussões sobre IA e marketing trata a tecnologia como uma questão de ferramenta: usar ou não usar, quanto usar, como usar com responsabilidade. Esse é o debate errado. A questão mais importante não é se você usa IA — é para quê você a usa.

Usa-la para estruturar, revisar, adaptar, distribuir e otimizar conteúdo é uma decisão de eficiência operacional inteligente. Usar IA para decidir o que dizer, como pensar sobre um problema e qual posição assumir publicamente é abdicar do único elemento que faz um conteúdo valer a atenção de alguém.

As marcas que estão conseguindo se destacar nesse ambiente não são necessariamente as que produzem mais. São as que mantêm uma voz reconhecível, com personalidade e posicionamento — uma que o leitor consegue distinguir em meio ao ruído. Que têm um ponto de vista claro sobre o mercado em que atuam. Que publicam menos, mas publicam coisas que alguém vai lembrar na próxima reunião.

Essa voz não vem de um modelo de linguagem. Ela vem de uma decisão consciente sobre o que a empresa acredita, quem ela quer atrair e o que está disposta a defender publicamente — mesmo quando é impopular.

O paradoxo completo

A promessa da IA no marketing era simples: escalar o que funciona. Mas o que funcionava em conteúdo era exatamente o que não escalava — a especificidade, a perspectiva humana, o risco de ter uma opinião real. Ao escalar, perdemos o que tornava o conteúdo valioso. E ao perder isso, a escala deixa de importar.

Este tema está no centro do que fazemos aqui na ALVK Marketing. Se você quer aprofundar essa conversa, acompanhe nossos próximos conteúdos no blog — acessando aqui — e siga a gente no LinkedIn para receber as análises assim que saírem – acessando aqui.

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